autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

29
Set 12

 

Parece-nos que o verbo destruir, terminologia que afinal significa; demolir, arrasar; aniquilar, é demasiado familiar e costumeira em Loriga, julgando mesmo que tudo o que é antigo e, quiçá, caraterizador de vivências de uma comunidade que durante anos conviveu com estas ferramentas de cozer o pão ou, em outras circunstâncias, fabricou bolos e outros derivados, é para banir da memória coletiva, porventura de uma história local e regional que se deveria afirmar como uma competência diferenciadora da etnologia serrana.

Ainda hoje, muita gente tem na sua MLD (memória de longa duração) rececionadas expressões como: “...oh! António. Oh! Carlos, traz cá mais lenha"; “... Urbana! A minha tem um belisco";“...a minha tem dois beliscos";“...a minha tem um buraco";“...a minha tem dois buracos";  “... a minha três"; “... a minha tem uma caruma”; afinal, uma comunicação que sempre primou pela ingenuidade e humildade, mas que hoje nos ajuda a compreender e a definir um povo e uma região como uma comunidade muito sui generis e singular no panorama historiográfico nacional.

Estamos conscientes de que as questões patrimoniais, são em alguns casos, consideradas empecilhos e inimigas da inovação e da modernidade hodierna. Não é decerto esta em concreto, uma situação e um caso onde a especulação imobiliária estivesse patente. Aqui, peço imensas desculpas, o que esta situação evidenciou, foi um misto de ignorância, incompetência, falta de sensibilidade ou mesmo incapacidade para cumprir um binómio – construir na senda da preservação e da defesa do património.

Matar sem piedade e sem pensar que o prejuízo, o receio e o medo, jamais incomodará aqueles cujas responsabilidades são hoje muitas, é um paradigma que queremos e pretendemos ver caducado e definitivamente arredado da política dos nossos autarcas. Urge alterar os nossos comportamentos e, defendamos com intransigência, novos valores e novas competências em favor da qualidade e da sustentabilidade das nossas terras e das nossas gentes.

Unir esforços e remar em direção a objetivos bem determinados e focalizados sempre, mas sempre, nas valências que Loriga detém e que todo o turismo reivindica é, certamente o lema que os desígnios da sustentabilidade exigem e obrigam a estarmos TODOS UNIDOS e juntos na eternização dos valores dos nossos antepassados.

Loriga quer...nós vamos apoiar!

 

      Augusto Moura Brito

       29 Setembro 2012

publicado por sacavem-actual às 12:02

14
Set 12

Porque razão alguns prosadores, sob uma capa de doutos esclarecidos, continuam a colocar em prosa, um conjunto de afirmações erróneas que a história ciência despreza e critica com veemência, muitas vezes resultantes de conclusões precipitadas, sem um suporte científico suficientemente documentado e desprovidas de rigor, isenção e comprovação?

 

A todos esses pedimos o favor de pararem e pedir-lhes o especial favor de solicitarem pareceres científicos sobre tais afirmações e, só depois, as colocarem em sites oficiais.

Ficar indiferente a tudo isto e, não contribuir para o esclarecimento histórico, parece-nos errado. Mais nos assemelharíamos a um colaborador da mentira e negarmos causas e valores históricos que vimos defendendo há muitos anos.

 

Toda e qualquer síntese histórica requer uma metodologia onde o historiador diretamente proceda por meio de raciocínio e tente concluir dos vestígios para os factos. O documento é inequivocamente o ponto de partida. Com a metodologia positivista assente na heurística (pesquisa) e na hermenêutica (análise critica) o historiador afasta-se da visão de patriotismo e de romantismo da história eliminando o lendário. É a vitória da verdade sobre as “tradições mentirosas”.

 

A história deve ser problemática e não automática, ser uma ciência dos homens no tempo e mover-se numa permanente e constante interação entre passado e presente. O historiador deve ser um interveniente ativo na construção do presente de modo a responder aos problemas da atualidade, em conclusão: um investigador e cidadão comprometido.

É perante este compromisso que reafirmo a minha intolerância e o meu afastamento pelo conteúdo do texto agora publicado no site da Junta de Freguesia de Loriga, concluindo:

 

  • Não existir nenhuma ponte romana, mas sim o local onde provavelmente deveria ter havido uma, em virtude de ainda hoje serem visíveis os vestígios de uma via romana. Para corroborar esta nossa tese, ver a memória de 1758 onde é referido o número de pontes e as suas caraterísticas. Apenas é referida uma ponte de "cantaria" nesse local!...
  • Nunca foi encontrado nenhum vestígio romano onde surgisse a terminologia de lorica. Se existe, publique-se.
  • Vestigios romanos, só foram encontrados no denominado “Chão do soito”. Aí encontrámos fragmentos de cetárias, opus signinum, opus incertum, fragmentos de cerâmica comum, imbrices e tegulas, etc.).
  • Foral de 1136 (onde está?). O que existem são documentos – inquirições, cartas de doação e confirmações – e que temos registos (fotos) obtidos na Torre do Tombo e do período que vai de 1211 a 1500.
  • Foral! Só conhecemos um, o datado de 1514. Se há outro, publique-se!

 

A verdade e só a verdade.

Os loriguenses merecem.

 

                                                                                         Augusto Moura Brito

                                                                                         13 setembro 2012

publicado por sacavem-actual às 00:30

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