autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

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Mai 17

Foi com estupefação que li na última edição (março/abril 2017, na página 7) do jornal Garganta de Loriga o artigo com o título - Bolo negro. A origem?

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 Sempre refugiado na interrogação metódica, vai terminar com a sua convicção: O Charroset é o antepassado do Bolo Negro de Loriga?
A origem do Bolo Negro de Loriga, desconheço-a, talvez por isso nunca esteve nas minhas cogitações narrativas nem tão pouco tecer qualquer comentário nem abonatório, nem de refutação ou nem mesmo de orientação histórica da sua origem. Qualquer comentário alternativo ou mesmo ponto de vista sobre a sua origem que se alinhave - penso que não passou disso mesmo - o seu autor refere mesmo “… vamos tentar descobrir a sua origem…” ou elaborar qualquer tese, exige uma investigação cuidada, como por exemplo tomar contato com as fontes sejam orais ou escritas e, só muito depois deste trabalho demorado e racional, é que se avança.
O autor quando inicia a sua narrativa e pretende associar a presença do Bolo Negro a um ato singular como o de o encontrar e fazer a sua presença obrigatória nas bandejas no período pascal, é reduzir e minimizar o seu significado e importância. O Bolo Negro sempre foi o bolo que se apresentou às amigas e aos amigos em muitos momentos de festa, como sejam nesses em que descreve ou, em aniversários, batizados e em casamentos onde nunca faltou. Recordo-me muito bem quando criança a minha mãe e outras mães e, sempre em momentos festivos, levarem todos os preparativos para o forno, por sinal o único que ainda persiste em Loriga - próximo do largo do pelourinho - e aí, colocá-lo juntamente com a broa. Era com júbilo e muita satisfação que todos assistiam à sua saída da boca do forno.
Transferir e estabelecer uma ligação do Bolo Negro às comunidades Sefarditas, confesso que nunca tinha ouvido tal tese, nem lido e verificado em nenhum texto, duvido mesmo que essas comunidades ainda bem vincadas em Belmonte, tenham conhecimento do que é um Bolo Negro; vislumbrar no ritual da Páscoa judaica e na nova simbologia dos rituais marranos sem a apresentação de documentos, é conferir um atestado de nulidade à investigação científica que se vai realizando.
Loriga, salvo ainda poder surgir em qualquer documentação que me tenha escapado, nunca vi qualquer referência e ligação de Loriga às comunidades judaicas. Se houve, onde se encontram as fontes?
Para terminar pergunto! Onde está a documentação em que possamos analisar e convictamente afirmar que o Charroset é o antepassado do Bolo Negro de Loriga? É importante disponibilizar as fontes!…
Não alinhamos em suposições!
Confundir não será certamente o nosso lema!
A verdade histórica é a nossa metodologia!
Loriga… merece-nos MUITO!


Augusto Moura Brito
     14/05/2017

 

publicado por sacavem-actual às 09:27

09
Mai 17

 

Partilho agora convosco um saber que arrasará muitos:


“…O que hoje se tem escrito sobre os Lusitanos baseia-se exclusivamente num conjunto de referências episódicas disseminadas nos textos clássicos, com algumas descrições geográficas do seu território, naturalmente interessantes, mas infelizmente pouco úteis para ajuizar sobre o seu quotidiano, e um inúmero de inscrições epigráficas, todas do período romano, que nos fornecem algumas indicações toponímicas, diversas menções às divindades que veneravam, grande cópia de informações de caráter onomástico, mas não mais do que isso. Este desconhecimento levou à cristalização de certos lugares-comuns e ideias feitas, sem que a informação disponível se possa considerar suficiente para os documentar solidamente…”.


Importa por isso ter muito cuidado naquilo que se lê e vê …na bibliografia escolhida.

Muito provavelmente A RECRIAÇÃO HISTÓRICA que vai ocorrer nos dias 31 de julho e 1 e 2 de agosto vai estar mais próxima do substrato histórico deixado pelos clássicos do que da investigação arqueológica que é diminuta e rara.


Não obstante, deixo aqui algumas das fontes escritas:
     • Descrição geográfica efetuada por um navegador de Massália (atual Marselha) cerca de 520 a. C.
     • As referências episódicas de Heródoto de Halicarnasso na 2.ª metade do séc. V a. C.
     • A “Geografia Geral” da autoria de Artemidoro de Éfeso no século II/I a. C. 
     • A “Biblioteca Histórica” escrita durante o século I a. C. por Diodoro Sículo, historiador e autor. 
     • A “Geografia” de Estrabão do século I a. C. que considerou Viriato como líder dos celtiberos.
     • Inscrição constante no CIL II 760 onde se reafirma que foi com os impostos pagos por estes povos (populi) que se construiu a ponte romana (ano 106 a. C) de Alcântara que ligava Norba (Cáceres) a Conímbriga.
     • A “Orla Marítima” de Rúfio Festo Avieno século IV d. C baseada na descrição do navegador de Massália. Esta fonte escrita enferma de grandes omissões, sobretudo da presença dos Fenícios e Cartagineses nesta área da Península Ibérica.
Esta é a informação disponível que consideramos mais importante!…

 

Augusto Moura Brito

      08/05/2017

publicado por sacavem-actual às 09:53

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