autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

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Fev 14

Na nossa memória flui …a nossa identidade foraleira!

 

Comemorar 500 anos da atribuição do foral à vila de Loriga é, para todos nós loriguenses, reviver uma data histórica cheia de muito significado, merecedora de uma reflexão atenta e circunstanciada, pois está relacionada com um período nobre da vida das suas gentes e, por isso mesmo, exige de nós uma calendarização de ações comemorativas condignas e reveladoras de um redobrado entusiasmo vivencial.

Sabemos todos que os dias que correm não são de feição!

A austeridade e a enorme carga de impostos que somos obrigados a pagar continuadamente, não vão constituir um impedimento para que deixemos de valorizar a memória de uma comunidade onde os valores culturais, pese em alguns momentos, nunca deixaram de ser um referencial, quiçá, uma matriz identitária…

Já aprendemos muito ao longo destes dias …e podemos concluir que estas comemorações serão aquilo que os loriguenses exigirem e quiserem! Vamos então …vivê-las intensamente ao longo deste ano de 2014.

Como todos já sabem, as dificuldades de hoje são verosimilhantes - no que concerne às disponibilidades financeiras, mas … diferentes quanto à competência e desígnio - àquelas que no início do século XVI caraterizavam o quadro social, económico e financeiro português. Se hoje, o elevado preço a pagar se afigura exigente e primordial para cumprimento das medidas impostas pela “troika” e pelas elites tecnocratas europeias, naquela época, as medidas levadas a efeito, impunham-se pela racionalidade económica, pela reestruturação do regime e pela afirmação de um centralismo do poder régio que a modernidade ia configurando e o “modus”operandi” ia impondo.

O contexto destas medidas não seria decerto apenas o cumprimento das leis foraleiras, o evitar do avolumar de queixas dos povos, a adulteração sub-reptícia dos textos, e o controlo do poder de alguns senhores dominiais, mas também transparecer firmeza e perspicácia legislativa conseguindo captar assim, um novo conjunto de receitas, passíveis de dar continuidade ao grande projeto expansionista, agora numa fase crucial de consecução e que o seu antecessor D. João II tinha iniciado. As ordenações manuelinas levadas a cabo entre 1512 e 1531 são o seu grande edifício de reorganização e administração.

Hoje, pelo contrário, com as medidas tomadas, ainda nenhuma meta foi ainda alcançada, apenas vemos caminhar rapidamente para o caos e para o abismo …o nosso povo e o nosso país!

Naquela época – finais do século XV - com tal desiderato conjuntural, ao rei D. Manuel I, solicitava-se-lhe a tomada de medidas que possibilitassem retirar o reino da situação em que se encontrava e levar por diante o projeto expansionista em que os portugueses estavam empenhados. Por esse facto, ordena por carta régia de 22 novembro de 1497, tomar a verificação dos forais para “tornallos a tall forma e estillo que se posam bem entender e comprir”.

Durante vários anos todos partilhavam da azáfama que as novas realidades - a social, a económica e a partida para o oriente - iam exigindo. Por isso e talvez pela multiplicação das muitas queixas que cresciam no reino e as contínuas reclamações que foram aparecendo, motivadas umas pelas interpretações que os letrados davam aos forais velhos, outras pelo laxismo de setores do funcionalismo, exigiram do rei uma nova postura, quiçá, uma nova política.

Essa nova política passaria por tomar uma atitude, pautada pela ordenação de que funcionários régios, sob a égide do doutor Rui Boto, chanceler-mor, o desembargador João Façanha e o cavaleiro Rui de Pina percorressem o reino e recolhessem os forais velhos e averiguassem das condições que proporcionassem a sua reestruturação e possibilitassem a promulgação de novos.O Foral outorgado à vila de LORIGA ocorre durante a terceira fase (período de 1512 e 1516).

Com o início das comemorações dos 500 anos do foral manuelino a decorrer neste dia 15 fevereiro de 2014 nestas instalações da ANALOR, acolhe-nos a obrigação, o direito, a legitimidade e o significado de nunca mais olvidar-nos este importantíssimo documento do século XVI mas, também contribuirmos a inculcar na comunidade loriguense do presente, um sentimento de pertença e esclarecimento inconfundível e inequívoco desta componente patrimonial local que são os forais, vendo neles a substância de um fácies identitário com direitos, deveres e obrigações devidamente expressos nos seus textos.

Para que tal imperativo seja alcançado é urgente salvá-lo da penumbra e do esquecimento a que tem sido submetido, banindo as barreiras que o têm mantido oculto e ousarmos equacionar as melhores metodologias para a sua divulgação e transmissão que passam pela eliminação de todos os subterfúgios acumulados e ajudando-o a desenvencilhar-se das teias omissas e confusas onde tem permanecido. Com estes propósitos, estamos certos de que realizamos algo de muito consciente e meritório para ajudar a tornar mais esclarecida uma comunidade onde fervilha saber e, muito …muito conhecimento e curiosidade!

Loriga merece e as suas gentes ficam agradecidas…

Goste de LORIGA …como NÓS!

 

    Augusto Moura Brito

            15 fevereiro 2014

publicado por sacavem-actual às 23:56

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