autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

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É comum aceitar-se o etnónimo Lusitanos como o conjunto de diversas tribos instaladas na zona de entre o Douro e Tejo, limitada a ocidente pelo Caramulo e o Buçaco, integrando a serra da Estrela e a Beira Baixa. Quando os romanos no século II a. C invadiram esta parte do que é hoje o território português, estavam aí - conforme é referido numa inscrição e corroborado por Plínio - instalados diversos povos: os Igeditanos (Igaeditani), os Taporos (Tapori), os Celarnos ou Colarnos (Coilarni), os Lancienses Transcudanos (Lancienses opidanos), os Meidubrigenses (Meidubrigensis), os Aravi, os Arabrigenses, os Pésures e outros ainda possivelmente.
Sabemos da existência destas tribos porque são referidos numa inscrição (CIL II 760) onde se afirma que foi com os impostos pagos por estes povos (populi) que se construiu a ponte romana de Alcântara que ligava Norba(Cáceres) a Conímbriga. Esta ponte foi mandada construir no ano 106 em honra ao imperador Trajano, nascido na Hispânia e a responsabilidade pela construção, o engenheiro Caio Júlio Lacer (cristianizado na Idade Média com o nome de São Julião). A questão da organização territorial e estratégia militar continuava a ser uma pretensão dos romanos para possibilitar a continuidade da política de integração dos povos dominados, daí terem atribuído o nome de Lusitânia (Lusitani) a esta nova unidade geo-política.
A origem dos Lusitanos ainda hoje não está totalmente esclarecida. Embora não fique afastada a hipótese de serem considerados povos iberos ou mesmo lígures, as últimas escavações em castros lusitanos e a análise de alguns elementos idiossincráticos como a religião, a onomástica e alguns topónimos, fornecem-nos indícios de que se trata de um povo celta. É assim que vamos considera-los, quiçá, influenciados por Diodoro Sículo, historiador e autor da sua única obra a “Biblioteca Histórica” escrita durante o século I a. C. Porém, temos conhecimento que Artemidoro de Éfeso do século II/I a. C. (na sua obra “Geografia Geral" apelidou os Lusitanos de Belitanos (mapa da esquerda) e Estrabão (mapa da direita) do

Mapa da Europa segundo Estrabão.jpg

Papiro de Artemidoro segundo Kramer.jpg

 

século I a. C. (na sua obra “Geografia”) considerou Viriato como líder dos celtiberos. Por último, referimos o contributo de Rúfio Avieno do século IV ter-nos deixado na sua obra “Olra Marítima” onde faz uma descrição geográfica das costas europeias - desde a atual França até à Península Ibérica - e onde  pela primeira vez  aparece o termo  Lusis ou Lysis, chamando-os de “pernix” que significa ágil e rápido.
Sendo Viriato e Sertório - general romano que assumiu o comando dos Lusitanos após o assassinato de Viriato - as personagens com mais notoriedade dos Lusitanos, outros terão existido, como: Punicus, Cæsarus, Caucenus, Curius, Apuleius, Connoba e Tantalus.

...vai continuar!

 

 Augusto Moura Brito
     16-02-2017

publicado por sacavem-actual às 12:15

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