autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

01
Dez 19

Desde a baixa idade média que a economia de Loriga assentava numa agricultura rudimentar, na pastorícia e na cultura da castanha para, nos primeiros anos de 1500, passar a ser um importante centro de tratamento e comercialização de panos e lã. A cultura do milho grosso em socalcos e a indústria têxtil chegam mais tarde, durante os séculos XVIII e meados do século XIX, respetivamente.
Sabemos que, entre os anos de 1516 e 1800, Loriga tinha um papel importante na economia e na política local… Os cargos de escrivão das sisas dos panos, de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos, em concomitância com o viverem da sua fazenda e trato de lã, conferiram aos que os exerceram,  um papel de serem os melhores e mais honrados da vila

Assim, temos:
• Por carta de 25/11/1516, vemos Pedro de Gouveia, no cargo de escrivão das sisas dos panos de Loriga, Alvoco da Serra e Vila Cova.
• Por carta de 19/06/1536 vemos Sebastião de Figueiredo, proprietário dos ofícios de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos de Loriga e Alvoco da Serra. Por carta de 04/12/1538, foi nomeado escrivão da câmara e almotaçaria das mesmas vilas.
• Por carta de 27/5/1562, vemos o seu filho Henrique de Figueiredo, suceder-lhe no cargo de proprietário do ofício de escrivão das sisas dos panos de Loriga e Alvoco da Serra. Renunciou no ano de 1577.
• Sucedeu-lhe Pedro Mendes, sucede-lhe em 1577, renunciando em 22/06/1609. Morre em Loriga em 20/11/1633 onde eram dos melhores e mais honrados da dita vila.
• Maria de Figueiredo que casou com Gaspar Fernandes o Velho que foi proprietário do mesmo ofício por renúncia de Pedro Mendes.
• Sucedeu-lhe no cargo António de Figueiredo o Velho, que casou com Maria da Fonseca natural de Loriga onde faleceu em 26/09/1698 e viveram. Eram gente boa e da principal da vila, que vivia de sua fazenda e trato de lã.
• Sucedeu-lhe no cargo seu filho António Figueiredo o Moço, batizado em 22/09/1649 e casado em Loriga em 08/02/1679 com Inês Cardoso natural de Loriga filha de Manuel Cardoso natural de Soito da Ruiva, freguesia de Pomares e sua mulher Maria Cristóvão natural de Loriga, referidos como gente boa e da principal da vila que vivia de sua fazenda e trato de lã.
• Sucedeu-lhe o seu filho Manuel de Figueiredo, referido como membro da Irmandade das Almas de Loriga. Casou em 17/10/1720 com Josefina Pinto falecida em Loriga e com testamento de 24/04/1758 filha de Francisco Pinto e Ana Lopes.
• Depois desta data vemos no cargo Pedro de Figueiredo, filho de Gaspar Fernandes o Velho, batizado em Loriga em 05/06/1624 e casado em Loriga em 05/10/1653 com Maria Mendes, batizada em Loriga 28/12/1635, filha de Francisco Mendes.
• Sucedeu-lhe seu filho Domingos de Figueiredo, batizado em 03/02/1658 e casado duas vezes: a 1.ª com Catarina Magro de Vila Cova à Coelheira e a 2.ª com Sebastiana Nunes.
• Sucedeu-lhe Domingos de Figueiredo, que casou com Teresa Tomás filha de José Nogueira e Águeda João que viveram em Sandomil.
• Sucedeu-lhe Miguel de Figueiredo da Fonseca, filho de António de Figueiredo o Velho e de sua mulher Maria da Fonseca, batizado em Loriga em 29/09/1657 e casado em São Romão em 07/02/1701 com Maria Mendes de Abreu, aí batizada em 07/09/1681, filha de Simão Duarte e de sua mulher Luísa Mendes.
• Sucedeu-lhe Manuel Mendes de Figueiredo, batizado em setembro de 1721 e tabelião em Loriga e familiar do Santo Ofício em dezembro de 1773. Vivia do contrato de lãs e panos, tendo de suas fazendas, que se reputam de 4.000 cruzados o rendimento de 200.000 reis. Casou em Sameice a 06/02/1765 com Maria Joaquina da Cunha e Abreu, aí batizada em 04/04/1734, filha do capitão Gabriel da Cunha Lobo de Abreu e sua mulher Brígida de São Bernardo de Figueiredo.
• Sucedeu-lhe Crisóstoma Delfina do Patrocínio e Cunha nascida a 20/03/1776 e casou em Oliveira do Hospital a 13/01/1809 com José Mendes de Abrantes nascido em Gavinhos de Cima, filho de Agostinho Mendes e sua mulher Maria Josefa.
• Sucedeu-lhe João de Figueiredo, filho de António de Figueiredo e sua mulher Maria da Fonseca. Casou em Loriga a 17/09/1697 com Maria Mendes, aí batizada a 13/04/1677, filha de Manuel João, aí batizado a 25/03/1638, sendo contratador de panos de lã, e de sua mulher Maria Mendes já viúva de Francisco Antunes, casados em Loriga a 06/08/1673, neta materna de Gaspar Fernandes o Novo e de Maria Lopes. Viveram em Loriga onde eram mercadores de panos.
• Sucedeu-lhe João de Figueiredo, batizado a 17/01/1702, contratador de panos, casado em Sandomil a 20/10/1738 com Engrácia Luísa de Moura Castanheira, nascida em Carragosela e batizada em Espariz a 11/0/1712 que fora viver para Sandomil na companhia de um tio, António Vieira, filha de Manuel Rodrigues Saraiva e sua mulher Mariana de Moura.
• Sucedeu-lhe o Dr. João de Figueiredo de Moura, nascido a 10/08/1750, formado e graduado em Cânones entre 1762 e 1768. Cavaleiro da Ordem de Cristo, desembargador da Relação no Rio de Janeiro, Provedor da Fazenda, Desembargador da Casa da Suplicação por carta de 10/12/1827. Casou na capela da Senhora da Ponte em Sandomil com Ana Joaquina de Magalhães e Abreu Castelo-Branco em 28/01/1782, nascida em Sandomil em 09/09/1758 filha de João Félix de Abranches e sua mulher Teodora Angélica de Magalhães de Abreu Castelo-Branco.
• Sucedeu-lhe Maria de Figueiredo da Fonseca, filha de António Figueiredo e sua mulher Maria da Fonseca, batizada em Loriga a 07/11/1663 e casada em Loriga a 13/11/1699 com Paulo de Gouveia, também batizado em Loriga a 22/01/1657, sargento-mor de Loriga, Alvoco da Serra e Vila Pouca, já viúvo de Paula Mendes Castelo-Branco.
• Sucedeu-lhe Paula da Fonseca, batizada a 08/07/1700 e casada em Loriga a 26/04/1731 com João de Brito, aí batizado a 11/09/1710, filho de Manuel João, aí batizado a 18/05/1681 e sua mulher Catarina de Brito, aí batizada a 20/01/1678 onde casaram a 15/06/1706. Viveram em Loriga onde eram dos principais da mesma vila.
• Sucedeu-lhe João de Brito, batizado a 30/05/1736, casou com sua prima Águeda Mendes Francisca, aí batizada a 28/05/1739, filha de Manuel Francisco Bordalo e sua mulher Maria Mendes de Figueiredo.
• Sucedeu-lhe Maria Teresa, casada com António José Mendes de Brito, nascido em Loriga a 03/04/1756, monteiro-mor da mesma vila por carta de 31/08/1791, filho de José de Brito e sua mulher Luísa Mendes. Viveram em Loriga.
• Sucedeu-lhe Luísa Maria do Carmo Mendes, nascida a 19/05/1794 e casada com José Luís Amaro de Castro, filho de Manuel Luís Amaro e sua mulher Catarina Luís.
• Sucedeu-lhe Maria Benedita Luís de Castro, nascida a 01/04/1824 e casada com seu primo 2.º Plácido Luís de Brito.
• Sucedeu-lhe Ana Mendes, filha de Pedro de Figueiredo e sua mulher Maria Mendes, natural de Loriga, onde casou a 03/10/1709 com Manuel Francisco Bordalo, daí natural e já viúvo, com geração, de Madalena de Brito, filho de António Francisco Bordalo e sua mulher Águeda Fernandes. Viveram em Loriga.
• Sucedeu-lhe António Francisco Bordalo, batizado a 10/06/1714 e casado em Alvoco da Serra a 11/10/1738 com Catarina Luís, daí natural, filha de Manuel Luís e sua mulher Ana Fernandes. Viveram em Loriga.
• Sucedeu-lhe Catarina Luís, nascida a 24/04/1747, casada com Manuel Luís Amaro, natural de Loriga e nascido a 16/04/1744, filho de Manuel Luís Amaro, aí batizado a 08/07/1712 e sua mulher Maria Josefa Galvão, aí batizada a 10/06/1714 e aí casados em 15/06/1741. Viveram em Loriga.

 

Baseado em:

GONÇALVES, Eduardo Osório. Raízes da Beira – Genealogia e Património: Da serra da estrela ao vale do Mondego. Dislivro Histórica 2006 e resultantes da análise das - Chancelarias de D. João III, D. Manuel I, D. Sebastião, D. Filipe II, D. Filipe III, D. Maria I, D. João VI, D. Pedro IV – da ANTT.

 

Augusto Moura Brito

01/12/2019

publicado por sacavem-actual às 19:34

27
Ago 19

No ano de 1997, quando da comemoração dos 500 anos da reforma dos forais, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Fundação Casa de Bragança, levaram a efeito um conjunto de ações com o objetivo… de jamais se esquecer a ação do rei de D. Manuel I em relação aos forais.
A sua determinação em mandar recolhê-los - carta régia de 22 de novembro de 1497 - devido aos abusos neles introduzidos serem muitos e, mandá-los reformar - carta régia de 5 de fevereiro de 1506 - seriam fulcrais para acabar com as devassas consequentes, nomeando uma Comissão, composta pelo Doutor Rui Boto, do seu Conselho, Chanceler-mor do Reino; João Façanha, seu Desembargador e Fernão de Pina, Cavaleiro da sua Casa.

Afirmava D. Manuel I, “[…] Fazemos saber que vendo nós como o ofício do Rei não é outra coisa senão reger bem e governar seus súbditos em justiça e igualdade, a qual não é somente dar a cada um o que seu for mas, ainda, não deixar adquirir nem levar, nem tomar a ninguém senão o que a cada um direitamente pertence […].
E querendo tudo remediar como com toda clareza e verdade se faça, Mandámos trazer todos os forais das cidades vilas e lugares de nossos reinos e as outras escrituras e tombos per que nossas rendas se arrecadam […]”.
Segundo Francisco Nunes Franklin, na MEMÓRIA PARA SERVIR DE ÍNDICE DOS FORAIS DAS TERRAS DO REINO DE PORTUGAL E SEUS DOMINÍOS, foi o cronista Damião de Goes, considerando quanto para bem reger seus súbditos, e para melhor cumprimento da inteira e igual justiça, convinha regular os direitos de cada uma das cidades, vilas e lugares; deu-lhes leis particulares (além da reforma das ordenações antigas, que fez compilar para todo o Reino) acerca da polícia, juízo, impostos, privilégios e condição civil de cada uma delas.

É neste contexto que Fernão de Pina, recolhe a documentação e as justificações vindas dos concelhos, elabora os apontamentos para cada foral novo que são minutados despacha com o Chanceler-mor e com o Desembargador que dão pareceres jurídicos com vista à redação final do foral novo executada pelos calígrafos e iluminadores, seguindo um esquema próprio.
Os Forais: modos de fazer e estruturar:
• A tabuada.
• O preâmbulo.
• Os Capítulos.
• Elaboração de 3 exemplares.
• Fernão de Pina faz a revisão e envia a Rui Boto (Desembargador) rubrica com Rcos todos os forais na última folha e indica a vila a que se destina.
• Fernão de Pina faz o termo de registo no Tombo (Leitura Nova) e assina.
• Finalmente o foral é encadernado e levado por quem tem a incumbência dos forais sendo entregues às autoridades das vilas, fazendo-se termo de publicação num dos fólios deixados em branco.
• Após a entrega do foral, outros registos lhe foram acrescentados.
• No caso de uma câmara eram registadas as atas de vereação.
• No caso de um senhor laico, podiam ser registados termos de um almoxarife.
• No caso do foral novo de Semide, as freiras mandaram registar nos fólios seguintes, em branco, um translado autêntico de uma certidão pedida à Torre do Tombo, respeitante à doção do couto, muito mais antiga portanto, mas por ser igualmente importante foi apensa ao foral.

Ao invés de outrem que refere a existência de forais mais antigos dados a Loriga, no século XV, ninguém vislumbrou a existência de nenhum. Ora vejamos a lista - ordenação alfabética - concebida nesse século e que consta no Livro dos Forais Velhos na página da letra L.

Imagens do Livro dos Forais Velhos

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PT-TT-LN-42_c0014.jpgForais desde os primeiros anos da nacionalidade até à reforma manuelina.

Conclui-se que NENHUM Foral antigo foi dado a LORIGA!

 

O códice foi assinado por Damião de Góis (f. 1 a 110; 121 a 132) e pelo licenciado Gabriel Gil (f. 111 a 120).

No frontispício está inscrita a data de 1552, e no f. 158 surge a data de 1554 numa nota sobre o erro verificado na leitura das datas, por Damião de Góis.

 

Augusto Moura Brito

27 agosto 2019    

 

 

publicado por sacavem-actual às 11:27

04
Out 17

Com diálogo TUDO vai ser mais fácil...

...de hoje em diante o ditame é o trabalho e o diálogo permanente!
O futuro é agora o presente em construção continuada...
É necessário e urgente fazer um levantamento das opiniões/sugestões recebidas e, agilizá-las com o programa que foi sufragado pelos eleitores, chamando ao seio dos vitoriosos, todos os que desejam e pretendam trabalhar em prol de uma Loriga com futuro. ...
O apelo ao trabalho colaborativo é agora a ferramenta de um trabalho diário insistente... persistente e... percursor de um futuro que a agenda delimitará e constituirá, sempre compaginável com a humildade que decerto vai caraterizar a ação.
Os adversários serão a arrogância, o despotismo e a derrota fácil!
A decisão colaborativa, a leitura de consensos e o bem-estar social e económico dos loriguenses, serão a metodologia e a chave predominante da nossa luta sistemática!
Decidir bem e sempre em benefício de Loriga e dos loriguenses... será o lema e baluarte de trabalho...

Com Loriga... com FUTURO

Augusto Moura Brito

       out2017

 

publicado por sacavem-actual às 16:11

30
Set 17

É um movimento que aglutina e é impulsionador dos valores... das atitudes... das vontades dos loriguenses que desejam uma vila com FUTURO sustentável e uma referência no turismo da Serra da Estrela!

Loriga tem Futuro, é potenciadora da mudança e da erradicação do velho paradigma que tem caraterizado a gestão autárquica...
Queremos VIVER numa terra onde o diálogo com as pessoas estão primeiro, ajudando-as e apoiando-as na concretização das suas ideias e ...da sua criatividade.
Exigimos a modificação da comunicação, salvaguardando sempre Loriga e a sua envolvência natural e ambiental.
No dia 1 de outubro VOTA... VOTA!

Loriga tem FUTURO... sim!

Augusto Moura Britio

        set2017

 

 

 

 

publicado por sacavem-actual às 16:05

04
Set 17

Um conjunto de REFLEXÕES para quem triunfar nas AUTÁRQUICAS - 2017 na vila de LORIGA.

 

Sem embargo e pretensões de qualquer espécie, apenas concentrado no FUTURO de LORIGA, vou elencar um conjunto de INICIATIVAS - passíveis de implementação - que, doravante, o futuro executivo comece por pugnar e exigir ao poder municipal, ao governo central e aos privados, de modo a suscitar um clima de sustentabilidade local que, alicerçado em infraestruturas mobilizadoras, suscite e agilize bens duradouros de riqueza na comunidade. 

Assim começo por inventariar:

  • Instalação de bombas de combustí­veis (criando parecerias ou avançar sozinha);
  • Dotação na Praia Fluvial de aparcamento para mais utentes com carro;
  • Legalização de simbologia heráldica que obedeça às regras institucionalizadas;
  • Continuar a realização dos eventos: Loriga vila lusitana (anualmente) e comemoração do Foral e realização da Feira Medieval (de 5 em 5 anos);
  • Defender a criação de núcleos museolóicos temáticos: a pastorícia, do pã e do têxtil;
  • Criar um banco de dados promocionais do turismo local e regional nas vertentes da Natureza ambiental e defendendo com intransigência os valores do Fontão de Loriga do vale glaciar das Caminhadas e dos socalcos.

Mais coexistem, estamos recetivos à partilha e à participação!

Comunga connosco deste ideário realista...

Vamos AJUDAR no que for necessário...

JUNTOS serão a FORÇA indispensável para construir um FUTURO mais sustentável...

 Augusto Moura Brito

      4/9/2017

publicado por sacavem-actual às 11:52

20
Mai 17

Foi com estupefação que li na última edição (março/abril 2017, na página 7) do jornal Garganta de Loriga o artigo com o título - Bolo negro. A origem?

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 Sempre refugiado na interrogação metódica, vai terminar com a sua convicção: O Charroset é o antepassado do Bolo Negro de Loriga?
A origem do Bolo Negro de Loriga, desconheço-a, talvez por isso nunca esteve nas minhas cogitações narrativas nem tão pouco tecer qualquer comentário nem abonatório, nem de refutação ou nem mesmo de orientação histórica da sua origem. Qualquer comentário alternativo ou mesmo ponto de vista sobre a sua origem que se alinhave - penso que não passou disso mesmo - o seu autor refere mesmo “… vamos tentar descobrir a sua origem…” ou elaborar qualquer tese, exige uma investigação cuidada, como por exemplo tomar contato com as fontes sejam orais ou escritas e, só muito depois deste trabalho demorado e racional, é que se avança.
O autor quando inicia a sua narrativa e pretende associar a presença do Bolo Negro a um ato singular como o de o encontrar e fazer a sua presença obrigatória nas bandejas no período pascal, é reduzir e minimizar o seu significado e importância. O Bolo Negro sempre foi o bolo que se apresentou às amigas e aos amigos em muitos momentos de festa, como sejam nesses em que descreve ou, em aniversários, batizados e em casamentos onde nunca faltou. Recordo-me muito bem quando criança a minha mãe e outras mães e, sempre em momentos festivos, levarem todos os preparativos para o forno, por sinal o único que ainda persiste em Loriga - próximo do largo do pelourinho - e aí, colocá-lo juntamente com a broa. Era com júbilo e muita satisfação que todos assistiam à sua saída da boca do forno.
Transferir e estabelecer uma ligação do Bolo Negro às comunidades Sefarditas, confesso que nunca tinha ouvido tal tese, nem lido e verificado em nenhum texto, duvido mesmo que essas comunidades ainda bem vincadas em Belmonte, tenham conhecimento do que é um Bolo Negro; vislumbrar no ritual da Páscoa judaica e na nova simbologia dos rituais marranos sem a apresentação de documentos, é conferir um atestado de nulidade à investigação científica que se vai realizando.
Loriga, salvo ainda poder surgir em qualquer documentação que me tenha escapado, nunca vi qualquer referência e ligação de Loriga às comunidades judaicas. Se houve, onde se encontram as fontes?
Para terminar pergunto! Onde está a documentação em que possamos analisar e convictamente afirmar que o Charroset é o antepassado do Bolo Negro de Loriga? É importante disponibilizar as fontes!…
Não alinhamos em suposições!
Confundir não será certamente o nosso lema!
A verdade histórica é a nossa metodologia!
Loriga… merece-nos MUITO!


Augusto Moura Brito
     14/05/2017

 

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09
Mai 17

 

Partilho agora convosco um saber que arrasará muitos:


“…O que hoje se tem escrito sobre os Lusitanos baseia-se exclusivamente num conjunto de referências episódicas disseminadas nos textos clássicos, com algumas descrições geográficas do seu território, naturalmente interessantes, mas infelizmente pouco úteis para ajuizar sobre o seu quotidiano, e um inúmero de inscrições epigráficas, todas do período romano, que nos fornecem algumas indicações toponímicas, diversas menções às divindades que veneravam, grande cópia de informações de caráter onomástico, mas não mais do que isso. Este desconhecimento levou à cristalização de certos lugares-comuns e ideias feitas, sem que a informação disponível se possa considerar suficiente para os documentar solidamente…”.


Importa por isso ter muito cuidado naquilo que se lê e vê …na bibliografia escolhida.

Muito provavelmente A RECRIAÇÃO HISTÓRICA que vai ocorrer nos dias 31 de julho e 1 e 2 de agosto vai estar mais próxima do substrato histórico deixado pelos clássicos do que da investigação arqueológica que é diminuta e rara.


Não obstante, deixo aqui algumas das fontes escritas:
     • Descrição geográfica efetuada por um navegador de Massália (atual Marselha) cerca de 520 a. C.
     • As referências episódicas de Heródoto de Halicarnasso na 2.ª metade do séc. V a. C.
     • A “Geografia Geral” da autoria de Artemidoro de Éfeso no século II/I a. C. 
     • A “Biblioteca Histórica” escrita durante o século I a. C. por Diodoro Sículo, historiador e autor. 
     • A “Geografia” de Estrabão do século I a. C. que considerou Viriato como líder dos celtiberos.
     • Inscrição constante no CIL II 760 onde se reafirma que foi com os impostos pagos por estes povos (populi) que se construiu a ponte romana (ano 106 a. C) de Alcântara que ligava Norba (Cáceres) a Conímbriga.
     • A “Orla Marítima” de Rúfio Festo Avieno século IV d. C baseada na descrição do navegador de Massália. Esta fonte escrita enferma de grandes omissões, sobretudo da presença dos Fenícios e Cartagineses nesta área da Península Ibérica.
Esta é a informação disponível que consideramos mais importante!…

 

Augusto Moura Brito

      08/05/2017

publicado por sacavem-actual às 09:53

17
Mar 17

Do Dicionário da História de Portugal retirámos esta descrição realizada por Estrabão:

Armas
Segundo a descrição de Estrabão os lusitanos usavam a “Caetra” – pequeno escudo redondo de 2 pés de diâmetro, côncavo na face exterior, que era sustentado por correias, sem braçadeiras nem asa para a mão e cuja finalidade essencial não era cobrir todo o peito, mas intercetar os dardos e setas atirados pelo inimigo.
Usavam também o punhal ou sabre e a espada, o dardo ou lança de arremesso, todo de ferro ou apenas metade e a lança ponta de bronze para a estocada. Protegiam o corpo com uma couraça feita de um tecido muito espesso de linho e a cabeça com um capacete metálico de três penachos, ou então de couro, e, para cobrirem as pernas, usavam grevas ou polainas, de couro ou de tecido.
Costumes e gastronomia
Sobre os costumes diz-nos que eles untavam o corpo; que usavam banhos de vapor, lançando água sobre pedras enrubescidas ao fogo, e tomavam em seguida o banho frio; que se alimentavam apenas uma vez ao dia, com uma comida simples, mas naturalmente abundante. Bebiam apenas água ou também, por vezes, uma bebida fermentada, espécie de cerveja “caelia” e raras vezes o vinho; que faziam de bolota seca, pisada e moída, um pão de que se alimentavam durante duas terças partes do ano; que, em vez de azeite, usavam manteiga; que o sal era vermelho, mas depois de triturado ficava branco, naturalmente sal-gema; e, finalmente, que a comida era passada de mão em mão aos comensais, sentados em roda, em bancos de pedra, dando-se a primazia às pessoas de mais idade ou de maior categoria, e serviam-se de vasilhas de madeira, “à maneira dos celtas” como também das de barro.
Continua a descrição e diz-nos ainda que estes povos praticavam sacrifícios humanos e, quando o sacerdote feria o prisioneiro de guerra com um golpe no ventre, faziam seus vaticínios, conforme o modo como a vítima caía por terra; depois examinavam a palpitação das tripas sem as arrancarem e apalpavam as veias do peito, tirando desse exame seus augúrios. Aos cativos cortavam as mãos, oferecendo aos seus deuses as direitas. Sacrificavam a Ares, deus da guerra, não só os prisioneiros, como igualmente cavalos e bodes, e praticavam hecatombes, como fizeram, por exemplo nos funerais de Viriato, segundo a descrição de Apiano.
Dormiam no chão, sobre palha e apenas cobertos com o sagum, que era o manto ibérico, de lã; o vestuário dos homens era escuro, o das mulheres com bordados policromos; usavam, como as mulheres, os cabelos compridos, que, durante o combate, prendiam com uma faixa atada sobre a fronte; em lugar da moeda utilizavam pequenos pedaços de prata cortados a cinzel, ou procediam à troca de mercadorias.
Praticavam exercícios ginásticos, como o pugilato e corridas, bem como simulacros de combate, a pé ou a cavalo; gostavam de bailar em danças de roda, homens e mulheres de mãos dadas, ao som de flautas e cornetas, e davam saltos, caindo sobre os joelhos dobrados; cada qual tinha apenas uma só mulher. Colocavam os enfermos à margem dos caminhos, para que eles pudessem consultar os transeuntes que por acaso tivessem já sofrido da mesma doença.
Usavam barcos feitos de couro ou monóxilos, de um tronco de árvore; porém, tais barcos eram já raros… Os condenados à morte eram arrojados do alto dos rochedos aos precipícios e os parricidas eram apedrejados e expulsos dos limites do território. Estrabão termina a sua narrativa afirmando que a falta de cultura e o selvagismo destes bárbaros montanheses, tanto lusitanos, como calaicos, ástures, cântabros e vascónios, eram devidos aos seus hábitos e também ao facto de a sua vida decorrer em lugares afastados, onde era difícil chegar.

In, SERRÃO, Joel direção (1975). Dicionário da História de Portugal. Porto: Iniciativas Editoriais.

 

Augusto Moura Brito

     17/03/2017

 

publicado por sacavem-actual às 22:49

17
Fev 17

Ocupação espacial e vivências…

Estamos perfeitamente conscientes de que o fenómeno de sociabilidade destes povos foi sempre ditado por necessidades de sobrevivência… A especificidade de um certo modo de ocupação do espaço, a originalidade de um tipo de habitat cuja longa sobrevivência não pode explicar-se senão pelo caráter estacionário da organização social e da vida económica, transportam-nos para uma abordagem onde se procura fazer a evolução das formas de ocupação e de convivência espacial.
Se estas questões constituem um fator determinado pelo tempo ou pela necessidade de adequação a uma nova realidade, estamos sobretudo a pensar nesta última, porquanto a investida dos romanos durante as campanhas de Décimo Júnio Bruto exigiu que houvesse uma necessidade de levar à consecução uma adequada e mais eficiente “plataforma” dos aspetos defensivos, através do uso generalizado da pedra na construção das casas - até aqui eram fabricadas usando só os materiais vegetais – como também na adoção do torno de oleiro pois a única e principal modo de vida até então era a atividade pastoril, principalmente cabras, ovelhas, bois e porcos e, em especial, os cavalos. Praticavam a caça e a pesca. Há fontes que afirmam que os Lusitanos utilizavam o arado, cultivavam o trigo, o linho, de que teciam couraças, referido por Estrabão na sua Geografia, a vinha e a oliveira, sendo famosas, pela sua doçura, as suas azeitonas secas e alguns frutos, como as cerejas.
A atividade militar neste território levou indubitavelmente à alteração do “modus vivendi” e “modus faciendi” desta população pelo que a edificação de castros no cimo das elevações ou no meio de dois cursos de água obrigou estas tribos a ter um “modus operandi” diferente e mais adequado ao contexto de investidas permanentes, muito da feição de Viriato. Determinado por este desiderato as plantas, as dimensões e a articulação das casas demonstram um caráter lato da unidade familiar, constituída pelo agregado de famílias simples ou nucleares descendentes do mesmo tronco e residentes no mesmo espaço, por vezes murado e com pátio que servia a todos para o desempenho de pequenas atividades agro-pastoris. Não se conhece na área dos castros nenhuma praça pública, centro cívico ou templo revelando por isso uma simplicidade de organização social.
Ainda quanto à construção das casas e muralhas usavam, para cortar a pedra, os picos e cunhas. No fabrico de armamento ofensivo incluem-se as espadas e punhais geralmente afalcatados1, as pontas de lança e ponteiras ou chuços. Como armas defensivas temos os capacetes, os escudos redondos e pequenos (caetra).
Muito pouco se sabe sobre a prática de cultos religiosos. Porém, podemos adiantar que eles se resumiam à divinização de elementos celestes e das águas, fontes, rios, montes, rochedos e outros seres e forças da natureza. Os teónimos mais vulgares são de culto local, como: Banda, Cosus, Nabia e Reva. O culto dos mortos restringia-se à realização de ritos de incineração depositando posteriormente as cinzas no interior das habitações em pequenas fossas de planta circular com paramentos de alvenaria ou em recintos próprios no exterior da casa, mas dentro do núcleo familiar. O funeral de Viriato datado de 139 a. C., descrito por Diodoro Sículo e Apiano são a confirmação dessa prática corrente: "O cadáver, magnificamente vestido, foi queimado numa pira, onde sacrificaram numerosas vítimas, enquanto os soldados corriam em volta, formados, empunhando armas e cantando, à maneira bárbara, as suas glórias em honra do herói. Por fim, duzentos pares de guerreiros efetuaram simulacros de combates e não abandonaram o local enquanto o fogo se não extinguiu por completo”.

 

1 Recolhidos em bolsas de vegetais (numa fase inicia) ou em peles de animais (fase posterior).


Augusto Moura Brito
    17-02-2017

 

publicado por sacavem-actual às 10:19

16
Fev 17

É comum aceitar-se o etnónimo Lusitanos como o conjunto de diversas tribos instaladas na zona de entre o Douro e Tejo, limitada a ocidente pelo Caramulo e o Buçaco, integrando a serra da Estrela e a Beira Baixa. Quando os romanos no século II a. C invadiram esta parte do que é hoje o território português, estavam aí - conforme é referido numa inscrição e corroborado por Plínio - instalados diversos povos: os Igeditanos (Igaeditani), os Taporos (Tapori), os Celarnos ou Colarnos (Coilarni), os Lancienses Transcudanos (Lancienses opidanos), os Meidubrigenses (Meidubrigensis), os Aravi, os Arabrigenses, os Pésures e outros ainda possivelmente.
Sabemos da existência destas tribos porque são referidos numa inscrição (CIL II 760) onde se afirma que foi com os impostos pagos por estes povos (populi) que se construiu a ponte romana de Alcântara que ligava Norba(Cáceres) a Conímbriga. Esta ponte foi mandada construir no ano 106 em honra ao imperador Trajano, nascido na Hispânia e a responsabilidade pela construção, o engenheiro Caio Júlio Lacer (cristianizado na Idade Média com o nome de São Julião). A questão da organização territorial e estratégia militar continuava a ser uma pretensão dos romanos para possibilitar a continuidade da política de integração dos povos dominados, daí terem atribuído o nome de Lusitânia (Lusitani) a esta nova unidade geo-política.
A origem dos Lusitanos ainda hoje não está totalmente esclarecida. Embora não fique afastada a hipótese de serem considerados povos iberos ou mesmo lígures, as últimas escavações em castros lusitanos e a análise de alguns elementos idiossincráticos como a religião, a onomástica e alguns topónimos, fornecem-nos indícios de que se trata de um povo celta. É assim que vamos considera-los, quiçá, influenciados por Diodoro Sículo, historiador e autor da sua única obra a “Biblioteca Histórica” escrita durante o século I a. C. Porém, temos conhecimento que Artemidoro de Éfeso do século II/I a. C. (na sua obra “Geografia Geral" apelidou os Lusitanos de Belitanos (mapa da esquerda) e Estrabão (mapa da direita) do

Mapa da Europa segundo Estrabão.jpg

Papiro de Artemidoro segundo Kramer.jpg

 

século I a. C. (na sua obra “Geografia”) considerou Viriato como líder dos celtiberos. Por último, referimos o contributo de Rúfio Avieno do século IV ter-nos deixado na sua obra “Olra Marítima” onde faz uma descrição geográfica das costas europeias - desde a atual França até à Península Ibérica - e onde  pela primeira vez  aparece o termo  Lusis ou Lysis, chamando-os de “pernix” que significa ágil e rápido.
Sendo Viriato e Sertório - general romano que assumiu o comando dos Lusitanos após o assassinato de Viriato - as personagens com mais notoriedade dos Lusitanos, outros terão existido, como: Punicus, Cæsarus, Caucenus, Curius, Apuleius, Connoba e Tantalus.

...vai continuar!

 

 Augusto Moura Brito
     16-02-2017

publicado por sacavem-actual às 12:15

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