autoria, edição e produção de Augusto Moura Brito

18
Jan 14

Estamos quase próximos da data – 15 fevereiro - e até ao momento ainda não ouvimos qualquer notícia que esteja relacionada com uma comemoração que, julgamos ser de elevado  significado histórico para Loriga e as suas gentes e, cujo interesse identitário, estar relacionado com os 500 anos do foral outorgado à vila de Loriga.

No caso de tal omissão vier a ocorrer, quer pelo poder autárquico quer pelas escolas, é razoável que nos interroguemos e afirmemos convictamente:

que papel educativo, atitudinal e formativo estas instituições possuem, quando se alheiam de vivências comunitárias e de um passado histórico que os devia orgulhar? No caso de estar equivocado, apresento desde já as minhas desculpas…

Sinceramente, torna-se demasiado angustiante que as populações elejam afinal quem se vem mostrando distraído e tem apontado as suas diretrizes para outros horizontes ou, será que o desleixo e a incúria são os seus escolhos de primordial preferência?  A omissão desta efeméride é de uma extrema gravidade que nos merece tal afirmação: a história local e, em particular a de Loriga, não é merecedora de tamanha ausência de dignidade e valor histórico ... a crueldade deste desígnio, está intimamente associada à formação dos homens e das suas predileções maiores!

No que concerne à exposição e qualidade da formação dos homens, é pertinente aflorar-se também o conteúdo de alguns textos, pretensamente “históricos”, sem referirem o mais importante de uma investigação que são; a enumeração objetiva das fontes e das referências bibliográficas, aqueles que julgo para este caso de maior importância. Os aforismos: diz-se, o ouvi dizer, é comum dizer-se ou mesmo ouvi contar, é de uma afronta atroz que muitas das vezes concorre para a acientificidade e o descrédito de alguns textos por quem tanto labor  e tempo tem dado à sua elaboração e à sua investigação. Sejamos honestos e não afirmemos o que não faz sentido e é, muitas vezes, desprovido de seriedade, falta de rigor e é simplesmente superficial.

 

Muitas e várias podiam ser as manifestações levadas a efeito para tal comemoração! Aquelas que são triviais e costumeiras como por exemplo: conferências, elaboração de desenhos, desfiles e criação de ambientes históricos manuelinos, etc, etc… A crise não era certamente um obstáculo, pois com poucos euros e muita …muita vontade, algo seria fácil  de concretizar …houvesse ideias e capacidade de criação, certamente que o resultado para Loriga seria de um grande orgulho e de um pequeno pontapé na famigerada crise troikuiana…

O meu pequeno contributo está em: http://www.mourabrito.pt/loriga.html

  

    A.Moura Brito

              janeiro 2014

publicado por sacavem-actual às 15:09

19
Out 13

 

Enquadramento geográfico

 

Loriga é uma vila e freguesia do concelho de Seia, distrito da Guarda, situada na parte sudoeste da Serra da Estrela e dista 20 km de Seia, 80 km da Guarda e 9,2 km da Lagoa Comprida. Tem uma povoação anexa, o Fontão e faz parte do Parque Natural da Serra da Estrela. Está situada a cerca de 770m de altitude, é rodeada por montanhas, das quais se destacam a Penha dos Abutres (1828m de altitude) e a Penha do Gato (1771m) e duas ribeiras: a da Nave e a de S. Bento que se unem formando a ribeira de Loriga. Os seus socalcos majestosos conferem-lhe uma configuração única e ímpar na região do vale glaciar.

 

Das origens à fundação da nacionalidade

Construir uma pré-história sobre Loriga é ainda nos nossos dias um desiderato impossível, pelo facto de, até à data, não terem sido aí encontrados quaisquer vestígios deste longo período que vai até à invenção da escrita, por volta de 4.000 a.C. na Mesopotâmia. Os primeiros vestígios localizados em Loriga, são de um período mais subsequente e foram localizados no denominado castelo/castelejo, onde ainda por volta de 1759, como nos informam as Memórias fornecidas pelo padre Cardoso aos delegados do marquês de Pombal, ser ainda visível aexistência de vestígios dos alicerces dos muros[1].

É neste contexto que assinalamos o desenvolvimento da cultura castreja que percorre o I. Milénio a.C., determinando o cimo dos montes - as suas zonas de preferência – os locais que melhor ofereciam a estas comunidades as condições ideais de defesa, habitação e pastoreio.

Apesar da presença incerta dos celtas no interior do território português, sabemos que a existência, de um bairro em Loriga com a designação de São Ginês poderá estar certamente associado à origem do santo celta São Gens martirizado pelos romanos.

Por questões de alteração demográfica entretanto observadas ao longo do I milénio a. C. e, também devido a importantes inovações determinadas pelos aspetos económicos, sociais e espirituais destas comunidades de pastores, a zona do Chão do Soito, foi uma área onde estas novas populações encontraram os recursos naturais essenciais – água e melhores terras agrícolas e de pastoreio - para se fixarem. Desse período ainda existe uma espécie de sepultura antropomórfica, popularmente conhecida, como o caixão da moura.

Após a chegada dos romanos à península ibérica – século II a.C. – os romanos vão-se fixando por todo o território português procedendo à romanização do espaço que denominaram de Lusitânia uma das divisões administrativas da Hispânia. Os resultados desta romanização foi tão intenso e tão rico e autêntico que, no ano de 1993, após termos procedido a uma prospeção “in sito” no local – Chão do Soito - os vestígios da sua presença foram inequívocos. Como resultado desta intervenção podemos comprovar que alguns dos vestígios encontrados antes e agora e, dos quais destacamos: fragmentos cerâmicos, imbrex e tegulae (telhas) e opus signinum (argamassa feita de cal hidráulica) comprovam o uso e a utilização desta região como de preferida inicialmente. Para atestar esta tese, também na zona circundante foram encontradas mós, caulino e infraestruturas de uma rede viária que, segundo Jorge Alarcão, se julga ser a estrada de Aeminium que atravessava o interior da Beira. A “estrada velha” como também é designada, construída segundo as técnicas e os materiais usados pelos romanos, atravessa toda a localidade e vai constituir até à construção - nos meados do século XX da estrada EN231 e em 2006 da EN338 - o mais importante eixo de ligação desta região serrana.

Com a derrota dos romanos, o domínio da Hispânia foi nos princípios do século V e até aos princípios do século VIII sucessivamente dominado, primeiro pelos suevos e depois pelos visigodos até à invasão dos muçulmanos no ano de 711, substituindo assim o reino visigodo pelo Al-Andaluz.

Dos inícios da nacionalidade à revolução industrial

Com a conquista da individualidade política de Portugal no século XII, Loriga aparece-nos como um lugar, termo e identidade territorial próprias, surgindo a sua alusão nas inquirições de D. Afonso III (1248-1279) como sendo um senhorio doado a João Rhania; nas cartas de confirmação de privilégios no reinado de D. Pedro (1357-1367); na carta de coutadas certas herdades e quintas concedidas a Rodrigo Afonso Machado por D. João I (1385-1433); na carta de doação de D. Afonso V (1448-1481) a Álvaro Machado em 1474; nas cartas de legitimação e na atribuição do foral de 1514 no reinado de D. Manuel I (1495-1521)[2]. Este último – o foral[3] - constituiu por si como o mais importante e fundamental, sobretudo, para compreendermos a categoria de concelho atribuída e, finalizada com a sua extinção em 1855.

Durante este período Loriga aparece-nos também incluída em outros registos com destaque, a partir de 1527, em rubricas sobre a evolução da população. Se nesse ano se contabilizavam 78 fogos, em 1755 atingia 158 fogos com um total de 400 habitantes para em 1862 o número de fogos ser de 448 e uma população de 1702 habitantes para atingir o seu valor máximo em 1950 com uma população de 2981 habitantes, sendo 1569 mulheres e 1412 homens[4].

Da revolução industrial aos nossos dias

Com o aparecimento do fenómeno industrial em Inglaterra no ocaso – última década - do século XVIII e a sua expansão pela europa ocidental incrementada pelo ideário da revolução liberal de 1820 (perpetuada pelo cruzeiro na carreira), Loriga conheceu a partir de 1856 e 1862 - data da criação das primeiras fábricas - a da Fonte dos Amores e a da Fândega fundadas por Manuel Mendes Freire e José Marques Guimarães respetivamente. Com esta fundação das fábricas em Loriga, consumam-se e materializam-se, um passado manufatureiro tradicional surgido no século XVII data da criação da primeira fábrica de panos na Covilhã. É comummente aceitar esta ligação à Covilhã, pelo facto de em Loriga, o gado ser muito abundante, coexistirem muitos vendedores de lã, se situar entre duas ribeiras com ótimas condições de produção de energia, ter um quotidiano artesanal ligado ao têxtil e, mais tarde, o retorno de emigrantes enriquecidos no Brasil (hoje recordados pelos três fontanários existentes de 1905-1907, a capela de 1884 e o coreto em ferro forjado de 1905 de Nª Sª da Guia, padroeira dos emigrantes).

O ímpeto pelo têxtil possibilitaria ainda a criação de mais unidades: a fábrica do Regato, em 1869; em 1938 a Pina, Nunes & Cª; em 2000 a sociedade Pinto-Lucas e agora Cabalhanas; em 1872 a fábrica das Tapadas; em 1899 a fábrica Leitão & Irmãos, Cª; em 1967 a Lorimalhas; em 1905 a fábrica Nova para em 1920 passar a sociedade Moura Cabral & Cª; em 1929 a fábrica do Pomar da firma Nunes & Brito; em 1950 a fábrica das Lamas passando em 1980 a denominar-se Metalúrgica Vaz Leal - unidade de metalurgia; em 1878 a fábrica da Redondinha mais tarde denominada de Manuel Carvalho e de Jomabril.

A religiosidade das gentes de Loriga foi sempre notória, suportada na sua igreja matriz cujo orago é Santa Maria Maior, nas capelas de S. Sebastião, Nª Sª do Carmo e Nª Sª da Anunciada, bem como numa fé inabalável colocada nas tradições da sua Irmandade do Santíssimo Sacramento (1885), na Ementa das Almas durante o período da Quaresma e nas várias procissões realizadas durante o ano com destaque para as festas religiosas e romarias ocorridas no segundo domingo do mês de junho (Santo António); no último domingo de julho (São Sebastião); no primeiro domingo de agosto (Nossa Senhora da Guia) e no segundo domingo de agosto no lugar do Fontão (Nossa Senhora da Ajuda).

Na música e no desporto destacam-se a Sociedade Recreativa e Musical Loriguense (1 de julho de 1906) e o Grupo Desportivo Loriguense (8 de abril de 1934).

De um passado exuberante norteado pelos lanifícios, Loriga volta a apostar no seu território, nas suas gentes, na sua memória, nas suas tradições e no seu potencial paisagístico, numa perspetiva de se revalorizar e tornar sustentável a sua economia assente num turismo rural e nos novos paradigmas decorrentes da revitalização da praia fluvial no verão, da neve no inverno e nas tradições em outras datas.



Augusto Moura Britomarço 2013



[1][1]  A este propósito deslocamo-nos ao local no ano de 1990 e não vislumbramos nenhum vestígio da existência de castros, apenas terras removidas, talvez devido a uma hipotética operação de florestação do lugar.

[2][2] Temos todos estes documentos disponíveis em registo fotográfico obtido quando eramos estudante na F.L.L.

[3][3]  Documento que está transcrito, traduzido e interpretado por nós - Moura Brito, Augusto – em http://www.mourabrito.pt/loriga.html

[4][4] CAVACO, Carminda, e MARQUES, Isabel, “Finisterra” (Centro de Estudos Geográficos) vol. I nº2 Lisboa 1966

 

 

publicado por sacavem-actual às 19:05

30
Set 13

 

Aquilo que há algum tempo eu vinha afirmando sobre a decadência do partido socialista no município de Loures, confirmou-se!

Só os mais céticos, os beija mão e TODOS aqueles que não analisam e refletem o pulsar das comunidades, não viam nem sentiam, quiçá, por falta de modéstia ou por falta de uma reflexão séria e racional, que não acreditavam que a moradia estava a desmoronar-se e os interesses instalados a definharem…

Os munícipes de Loures sentiam a degradação dos serviços, assistiam com desespero aos elevados preços das taxas e sobretudo verificavam o compadrio e o amiguismo que se verificava na admissão de trabalhadores. Nem imagino o número de excedentários existentes, colocados durante estes anos sem que as suas competências fossem avaliadas e tão pouco observadas e atendidas às reais necessidades dos serviços.

Concomitantemente, vemos um partido onde a análise, a interpretação e a reflexão interna local nas secções ou nas freguesias é inexistente, ora fechando-se à participação, ora assistindo ao triunfo de um caciquismo sem escrúpulos e sem vergonha, perseguindo ou maltratando quem incomoda ou atrapalha os interesses instalados. Por sinal, o abandono para estes é uma das soluções, não obstante continuarem firmes a viver e a contribuir civicamente nas comunidades, tornando-as mais ativas e informadas, como vem sendo o seu contributo na academia sénior de Sacavém (vai iniciar em outubro o seu quarto ano). A propósito, vemos muito poucos em atuação nestas atividades de enriquecimento comunitário, talvez porque as suas competências estão esgotadas ou porque os seus horizontes estão direcionados para outras metas.

 

Na freguesia de Sacavém, onde existia uma maioria absoluta, agora com a sua ligação ao Prior Velho, o partido socialista apenas ganhou à CDU por uns escassos 247 votos. É importante fazer agora uma reflexão profunda à gestão anterior e aos mentores políticos responsáveis por este desastre! A comunidade está sentindo um esvaziamento cultural, associativo e recreativo, para não falar de outros setores, aliado a uma falta de ideias e de empreendedorismo onde a inovação, a modernidade e a envolvência das gentes desta comunidade sejam uma realidade, tornando-as vivas, autênticas e sobretudo úteis…

 

Para terminar um recado aos candidatos derrotados do partido socialista em Loures: este caminho não é seguro nem triunfante! Reflitam profundamente com TODOS e não apenas quando os ventos são favoráveis…pois, o que se passou no município de Loures, no que concerne à organização das autárquicas, deixam-nos pensativos!

 

Augusto Moura Brito

 30 Setembro 2013

publicado por sacavem-actual às 11:54

14
Ago 13

Pasmem-se todos aqueles que sempre acreditaram na alternância do poder!

São agora estes três partidos os novos timoneiros do despotismo e da ditadura das nossas autarquias porque ao apresentarem candidatos com 3 ou mais mandatos em outras autarquias, tentam assim contornar o espírito da lei da limitação de mandatos autárquicos publicada em Diário da República a 29 de agosto de 2005.

Uma vez mais os senhores deputados legislaram a seu belo prazer, confundindo o inconfundível, defendendo as suas famílias partidárias e os tesouros amealhados, quiçá, insubstituíveis, fazendo compaginável a dúvida com o método fácil. Se há dúvidas de interpretação da lei, gostaríamos de saber a razão da sua ilegibilidade e subjetividade. Uma vez mais os seus superiores interesses estiveram em primeiro lugar…

Estas práticas, muito semelhantes àquelas que vigoraram durante a vigência do regime salazarista e que sempre recusaram, desprezaram e ridicularizaram os verdadeiros democratas de participar na política, colocando em causa a liberdade e vedar assim, o acesso, de milhares de munícipes livres ao desígnio da política. São estas metodologias fascizantes, comprometedoras do ideário democrático, que impedem a livre escolha e a livre participação de muitos populares ao governo das comunidades locais.

O exemplo da verdadeira autarcia tem que ser colocado ao serviço de quem sabe, defendendo autenticamente e verdadeiramente o epíteto, agora mais conhecido como, “manda quem paga” como vai ocorrer a nível das listas para deputados …. duvido, se tal vai acontecer!

Mas enganam-se também aqueles mais desprevenidos e muitas vezes afastados destas “lides” do jogo do poder político! Também no PS existem situações eivadas de um cariz integralmente menos democrático nas candidaturas! Obreiros da lei, são também infratores dela. Nas suas listas, observamos um presidente de câmara candidato ao mesmo município - caso de Beja - e vereadores candidatos há mais de 3 mandatos… A nível de assembleias municipais, vemos antigos presidentes de câmaras como primeiros candidatos. Não esquecemos também as freguesias onde a vergonha e o desplante exponencialmente soberbo de se apresentarem candidatos com mais de 4 e 5 mandatos realizados.

Ter vergonha é algo de maravilhoso que não ostentam. Porquê este desiderato pragmático? Estamos perante um novo paradigma de que alguns destes nada sabem fazer além da sua titularidade nestes cargos ou, serem mais tarde potenciais assessores ou membros do “corpus municipalis”, solução que doravante vai sendo mais difícil.

Mas…infelizmente é o que vai acontecendo e, nós – POVO – vamos comendo a iguaria que eles próprios vão confecionando com os condimentos que escolhem e colocam sempre no seu prato e na sua distinta mesa, onde os seus interesses e comodidades vão sendo arquitetados sem escrúpulos.

Para o seu desfecho, dizemos vergonhoso, desta caldeirada, o tribunal constitucional decide anuir, dando o seu parecer favorável em 5 de setembro.

Afinal quem sai derrotado são os deputados que não ousaram clarificar a lei. Temos um país onde os legisladores são terceiro-mundistas!


     Augusto Moura Brito

    agosto/setembro 2013

 

publicado por sacavem-actual às 10:22

21
Jul 13

O simbolismo repetia-se sempre que me deslocava a Loriga!

…Abrir a porta de casa e dirigir-me apressadamente para a varanda e contemplar a paisagem que a minha infância viveu, corporizou e me ensinou a amar. Gestos simples, eivados de uma singeleza angélica, reveladores de sentimentos profundos para quem aprendeu a gostar de Loriga.

Daquela vez, o meu gesto rotineiro foi abalado e violentado por aquilo que a minha retina ia vislumbrando e o meu cérebro registava. Tive, repentinamente que conter a emoção. Não queria acreditar naquilo que o meu subconsciente já tinha diagnosticado.

Incrédulo, quis “in situ” observar e avaliar tamanha desgraça e incomensurável infâmia. O conjunto de 4 (quatro) moinhos hidráulicos situados no Regato, tinham sido destruídos.

Como foi possível camuflarem-se em terramoto devastador, logo ali naquele lugar e, arrasar mais um legado patrimonial representativo de uma das mais peculiares atividades de economia popular e história local?

Como foi possível, os poderes autárquicos representados pela Assembleia Municipal, Câmara Municipal, Assembleia de Freguesia e Junta de Freguesia permitirem tão avassaladora destruição?

Como foi possível que mais uma corporização da memória coletiva dos homens, tenha sido vilipendiada por pessoas sem rosto, sem alma e sem passado?

Como foi possível o PNSE tivesse também ficado indiferente, pois, de restrições sabem eles, a mais esta aberração ambiental e natural?

Mais uma vez, na vila de Loriga, tudo se permite e acontece. O património, a base identificadora e o suporte jurídico, histórico e cultural do povo a que pertence, vai-se desvanecendo como o foi no passado…

Hoje, como o foi também ontem, talvez daqui a alguns anos seja ainda pior, não nos permitirem ostentar uma marca fortemente artística e digna da nossa memória colectiva. A culpa é de quem? Do desconhecimento e intolerância do homem… melhor, dos homens irresponsáveis de Loriga!...

 

Breve enquadramento histórico dos moinhos

 

Desde o século I (85 a.C.) há referências sobre a existência de moinhos hidráulicos. O poeta Antípatra de Tessalónica, contemporâneo dos imperadores Augusto e Tibério, fala-nos da fadiga provocada por um desses moinhos. “Pára de moer o grão, ó mulher que te esfolfas no moinho, dorme até tarde, mesmo que o canto do galo anuncie a alvorada, porque Deméter ordenou às Ninfas que realizem por suas mãos o trabalho, e, inclinando-se no cimo da roda, elas fazem girar as pás que movimentam a pesada pedra molar de Nysis”[1].

No ano 65 a.C. segundo Estrabão, geógrafo grego do século I a.C., no palácio de Mitrídates, o rei de Ponto, em Cabira, utilizava-se um maquinismo que alguns pensam corresponder a um moinho hidráulico. O desenho mais antigo de um moinho hidráulico de roda horizontal, data mais ou menos, do ano de 1430 e está conservado na biblioteca de Munique.

 

O moinho vertical foi descrito pelo arquiteto e engenheiro romano Vitrúvio, aproximadamente no ano 27 a.C.,e, seria mais tarde, decisivo na “industrialização” da Europa medieval. Estes mais potentes, eram acionados pelos romanos com a água proveniente dos aquedutos. Desenvolvem-se na Gália durante o século IV. Porém, é na Provença, mais concretamente em Barbegal, perto de Arles, que encontramos a mais notável das construções hidráulicas romanas jamais construídas pelos engenheiros do império Romano. No século XII, provavelmente desde os finais do século XI, os moinhos de roda vertical constituem o tipo mais comum em toda a Europa. Em Inglaterra, no século XI, um moinho hidráulico servia em média 50 fogos.

Embora admitamos uma grande diversidade na sua distribuição, o seu elevado número ainda há alguns anos, facilmente visíveis e identificados na vila de Loriga, levam-nos a refletir no enorme contributo económico suportado e desempenhado por estas autênticas “fábricas hidráulicas”. Assim, ajudam-nos também a explicar, os consideráveis índices populacionais registados da comunidade loriguense residente ao longo dos tempos, inicialmente como agricultores e pastores, para mais tarde (depois dos meados do século XIX com a instalação das primeiras unidades fabris), como operários têxteis.

Os moinhos hidráulicos mais vulgares em Loriga, são os de roda motriz horizontal – moinhos de rodízio – todavia, é do interesse comum mencionar, os de roda motriz vertical – as azenhas.

Segundo Fernando Galhano, “nos moinhos de rodízio a água sob pressão é projetada sobre uma roda de penas, fazendo-a girar e com ela, diretamente, o veio, a segurelha, e a mó andandeira. Nas azenhas, a roda de água acciona um sistema de entrosga-carrete, e é este que está ligado ao veio, o qual movimenta a segurelha, e a mó andandeira. A roda vertical pode ser de propulsão inferior (azenha de rio), superior (azenhas de copos), ou média, de acordo com as condições impostas pela topografia local”[2].

Vejamos agora os esquemas segundo o mesmo autor:


 

Mecanismos do Motor

Figura 1

 

 Legenda Figura 1:

1   1 -   Cubo, por onde vem a áqua do exterior.

9- AguilhãodoEixo.

2  2 -  Esguicho, por onde a água é projetada sob forte pressão contra as penas do rodízio.

10- Urreiro, ou Arrieiro,que gradua o levantamento ou abaixamento da mó para calibrar a farinação.

3   3 -   Pelão ou Eixo.

11- Agulha

4   4 -   Rodas de Penas ou Penado.

12- Porca para accionar o Arrieiro por meio do Aliviadouro, que se maneja junto das mós.

 

5    5 -   Lobete  

de ligação.

13- Mó andandeira.

6    6 -  Veio.

14- Mó fixa, ou Pouso.

7    7-  Argolas.

15- Bucha de madeira, por onde passa o Veio.

8   8-  Rela, onde apoia e gira o Aguilhão do Eixo.

16- Segurelha.

 

 

 

Mecanismos de moagem

Figura 2

 

 Legenda Figura 2:

1   1- Moega,onde se deita o cereal a moer.

4- Tremonhado, anteparos para evitar que a farinha se espalhe

2   2 - Grelha, por onde este corre para cair entre as mós.

5- Taleiga, saco que levará a farinha.

3  3 -Chamadouro, para provocar o correr do grão.

6- Telhadoiro, dispositivo para paragem automática do moinho

 

 

 

Pelas de rodízio

Figura 3

 

 

 

Penas de rodízio

Figura 4

 

 

Rodízios

Figura 5

 

 

Urreios e Relas

Figura 6

 

 

Para finalizar, voltamos a colocar um desafio aos professores de EVT, EV e História da escola Dr. Reis Leitão, também aos professores do 1º ciclo, para procurarem agendar no currículo das suas atividades didáticas uma unidade de trabalho relacionada com o levantamento e recolha dos elementos ainda disponíveis, numa clara e inequívoca tentativa de defesa e preservação do nosso património e memória local. A “ideia” de museu existe. O acervo recolhido encontra-se devidamente registado e inventariado, inicialmente colocado em exposição na antiga Casa do Povo, mas hoje, dizem alguns… na sede da Junta de Freguesia de Loriga, irrecuperável e desaparecido, dizem outros…!

Apoiemos a ideia e não reivindiquemos a utopia. Porque pensamos que a ciência museológica decorre da investigação museográfica, foi esse o nosso trabalho realizado com as cerca de trezentas peças recolhidas em Loriga…, vamos agora tornar esse ideário sustentável e, quiçá, duradouro e exponencial.

                                                                                                                                                           

Augusto Moura Brito

        (2005-2013)

 


publicado por sacavem-actual às 10:46

11
Jul 13

 

Perante o quadro gizado pelo Presidente da República, chegámos de facto à porta do manicómio! A trapalhada está instalada e os fantoches vão agora dirimir-se com mensagens desconexas, sem sentido, sem rosto e sem vergonha!

É este o país que temos com uma plêiade de políticos incompetentes que nos (des)governam sobre matrizes consequentes de proliferação da miséria e da pobreza cada vez mais exponencial do povo português…

A hipótese de um governo de salvação nacional é uma ficção cavaquista que o nosso imaginário não tolera, não suporta e não aguenta, mesmo que carreada em logísticas político-partidárias maioritárias ou mesmo que assentem numa alternativa de uma figura nacional de prestígio. Sabemos que estas soluções serão doravante inconsequentes, sobretudo porque elas se orientam em propostas neoliberais cujas caraterísticas rapidamente são rejeitadas e, por isso mesmo, soçobram mesmo logo quando se iniciam.

Atormenta pelos prenúncios da dor que esta comunicação lhe originara, eis que Nª Sª de Fátima, exclamou: meu muito amado servo, como foi capaz de fazer tamanha calamidade e pisar os mesmos trilhos dos malfeitores Gaspar e Portas? O primeiro, porque nunca acertou em nada, o segundo, porque continua a ser o menino birras que o carateriza. Ousaste certamente usar a vingança e a ignorância para saíres desta embrulhada em que muitos nos mergulharam, sacrificando os mais desprotegidos e indefesos, exigindo aquilo que não têm e obrigando-os a entrar no desespero e na míngua que sempre souberam controlar e evitar a muito custo…Agora passas tu a ser o principal obreiro desta infame e cruel solução que todos sabemos o seu final e nos direcionaram para o caos, nos conduzem para um labirinto sem rosto e sem nome e, nos amarram cada vez mais às políticas de submissão da troika e de muitos agiotas que proliferam à sua volta.

Finalmente, estamos todos mais conscientes hoje - pela crise que se instalou - da qualidade das medidas draconianas tomadas por aqueles que hoje já estão fora e que jamais serão chamados pela sua responsabilização nos atos e julgados e culpados pelas medidas entretanto tomadas. Infelizmente ou não, vivemos num espaço onde a impunidade é a gramática dos políticos e a desolação é a grelha dos mais incautos.

Voltaremos mais tarde para fechar a porta do manicómio e selar as portas da solução para este terramoto fedorento!


Augusto Moura Brito

    11 julho 2013

publicado por sacavem-actual às 00:11

19
Mai 13

 

Desde muito cedo foi objeto da minha investigação, conhecer mais de perto e sustentadamente, alguns comportamentos e valências psico-sociais e antropológicas de alguns humanos no final do período do Plistocénico e cuja importância social no clã e mais tarde na tribo eram muitas vezes preteridos de uma efetiva participação social. Segundo alguns autores e estudiosos, este comportamento secundário deriva do permanente autismo e do insistente e deficiente cumprimento das indicações emanadas pelos seus chefes, primeiro das mulheres - sistema matriarcal - e depois dos homens - sistema patriarcal.

A sua postura no grupo era desconcertante e deveras atribulada, afastando-se frequentemente, subindo para cima das rochas elevando exponencialmente fonemas desconcertantes e gesticulando desordenadamente os membros superiores e inferiores. Estas atitudes constituíam um perigo eminente para o grupo e, concorriam desta maneira, para que muitos animais se afastassem, fazendo assim diminuir as capacidades de alimento entretanto existentes.

Para uma melhor compreensão deste tipo de comportamento e atitude, ficámos perplexos, quase sem uma explicação plausível, quando nos confrontámos, durante uma escavação sistemática, com um conjunto de esqueletos cuja disposição de alguns estava dispersa, outros estavam sobrepostos e um deles encontrava-se mais distante, próximo de um rochedo. Com a disposição destes indivíduos do grupo, somos levados a colocar a hipótese de que estes humanos pertencerão a um tipo de grupo ainda mal definido e pouco estudado que, durante uma caçada conjugada e estando prestes a consumar algumas presas, foram massacrados por mamutes talvez devido aos fonemas do tal indivíduo.

Hoje, os alimentos são de outra índole e espécie, assemelham-se às vitórias políticas sistemáticas dos audazes e capazes, mas onde muitos necessitados se abeiram à procura de sobrevivência. Ao mesmo tempo e quase sem darmos conta deles, constatamos diariamente com os tais fonemas desconcertantes, agora produzidos por emplastros que vagueiam e deambulam nos ceptros e nas proximidades do poder vivendo numa condição de parasitas e dando voz da sua mediocridade.

Numa ação de valorização complementar de cidadania, o objectivo das sociedades hodiernas é contribuir para uma definitiva extinção desta espécie voraz e trauliteira, fomentando a partilha de um aprendizado e de uma experiência individual ativas, de modo a permitir que o saber fazer do grupo construa uma matriz de dignificação dos homens deste tempo, deste lugar e desta contemporaneidade e, onde os novos ideais e competências, sejam assumidos num verdadeiro sentido de comunicação, informação e formação permanentes.                                                                                                               

 

 

 

                        

 

 

 

 



[1] Período geológico, o mais antigo do Quaternário, com aproximadamente 1,5 milhões de anos, que terminou há cerca de 10 000 anos e durante o qual se detetaram os primeiros vestígios da existência do homem e se considerou o início da Pré-História.

publicado por sacavem-actual às 02:01

10
Mar 13

 Na degradação com sentimentos!..

 

Quando há uns tempos pude ter a oportunidade de observar este registo, não poderia deixar de imaginar quão maravilhosa foi a infância de muitos meninos e muitas meninas quando viam sair e entrar destas fábricas, gentes - pais, irmãos e demais familiares - que muito bem conheciam e que labutavam diariamente em horário normal ou em turnos para ganharem um salário que apoiaria as suas mães nas despesas e, contribuiria para que em cada casa as crianças pudessem brincar, pular, sorrir, ter pão para comer e alguma alegria para partilhar! Este percurso de muitas correrias – casa, fábrica e terreno[1] ou fábrica, terreno e casa – outrora verificado e calcorreado por muitos como uma rotina diária, é hoje em Loriga uma miragem ou, então,  registado ocasionalmente!

As famílias numerosas que existiam, só no meu ano – 1955 - foram mais de cem, entre raparigas e rapazes, para além de serem o resultado da inexistência de políticas de planeamento familiar, era também uma consequência da trilogia do regime – Deus, Pátria e Família – da iliteracia abundante, do fervor religioso circunstancial mas, também, do amor que se nutria pelas muitas crianças nascidas! Aqui e acolá, lá estavam os familiares, normalmente as avós e a D. Constança para ajudar a vi-los ao mundo …este era o maravilhoso universo da minha infância…

Contrariando estas vivências costumeiras locais e regionais, não deixamos - de repetição em repetição - de reafirmar!…

Hoje, não gostamos de ver, muito menos contemplar, esta tão vil degradação! O nosso património e a nossa memória industrial estão a definhar. Espaços que deram pão, suor, lágrimas, alegria, satisfação e, quiçá, muito amor familiar, encontram-se adormecidos e à espera da morte ...se não chegou já e agora seja irreversível! Os desafios lançados aos senhores presidentes - da câmara e da junta - são muitos e clamorosos para aproveitarmos estes imóveis, que têm um passado que importa reavivar, revitalizar e reaproveitar, em campus de novas interpretações e desígnios.

A lucidez como clamamos este desiderato é a mesma como defendemos a necessidade de novas inteligências motivacionais e emocionais que orientem novas fórmulas de um novo paradigma que Loriga e os loriguenses exigem e merecem. A musealização será uma via, não obstante outras alternativas se afigurem também sustentáveis. Nos dias que correm até a Microsoft deu uma ajuda ao produto – burel – dando-lhe uma nova utilização. Vamos que o tempo é curto e de pequena duração... dar uma nova vida a estes espaços que, quando reutilizados, criam alma e vida a uma terra que nos viu nascer e crescer.

 

             Augusto Moura Brito

                     março 2013



[1] Pedaço de terra cultivada.

publicado por sacavem-actual às 12:05

09
Mar 13

 

O PS e a Junta de Freguesia de Sacavém, ao emitirem os dois comunicados acerca da sua posição sobre o Plano de Pormenor do antigo quartel, pretendem, ainda não sabemos os porquês, desresponsabilizarem-se de um posicionamento assumido por alguns elementos do PS de Sacavém instalados no poder na câmara de Loures há 12 anos ou, apontar no escuro da confusão e, designarem-se como os arautos da defesa da urbanidade e bem-estar da comunidade de Sacavém que não estão contemplados neste projeto de urbanismo.

Afinal o que existe de concreto e de verdadeiro neste diferendo?...

Não será porventura a apologia da duradoura zanga das comadres que vem agora ao desafio evocar das suas razões de justiça ou, fazer jus a eventuais questiúnculas surgidas nas últimas eleições autárquicas e ainda não completamente saradas ou, porventura, será por dificuldades nas próximas?

Quem leu o comunicado… fica certamente equivocado com a matéria sobre a classificação de imóveis! Todos os executivos, quer sejam de freguesia quer sejam de câmara, são culpados por não atenderem alertas, vindos de várias direções, sobre questões identitárias da memória local. Há muito tempo que a igreja matriz e algum do seu acervo escultórico – refiro-me às jazidas tumulares existentes no seu exterior - deveriam ter sido propostas de interesse público. Infelizmente nunca o foram ou nem o serão certamente!

Apesar de algumas questões de gramática arquitetural que o executivo vem agora defender e das quais somos concordantes, não será através da estratégia que delinearam com o convite à população para uma presença na assembleia de freguesia, pouco frequentada, que mobilizariam uma comunidade e assim contrariar a matriz do plano de pormenor entretanto gizado.

Urge uma aproximação mais solidária, mais democrática, mais autêntica e, quiçá menos pretensiosa e mais humilde.

Sacavém merece muito mais!…

 

   Augusto Moura Brito

      março 2013

publicado por sacavem-actual às 20:32

01
Out 12

O nosso sentimento de perda é hoje grande!

Foi destruído um forno comunitário em Loriga, no local denominado de Terreiro do Fundo.

Como foi possível este desastre patrimonial tenha ocorrido numa localidade onde, com a devida e merecida oportunidade, se vem discutindo e reivindicando uma aposta na área do turismo com sustentabilidade?

Todos sabemos que as questões da desertificação são hoje uma praga contra a qual teremos de lutar conjugadamente e, quando observamos estes desvarios que apresentam laivos de um laxismo inqualificável, somos forçados a pensar que as instituições locais e os poderes autárquicos, não estão interessados na requalificação, na defesa e na preservação de uma memória que tem passado de gerações e que todos estimamos e consideramos como um legado a perpetuar e tornar duradouro.

Em conversa com um amigo, ele dizia-me: “Onde anda a confraria da broa? A dita confraria que por acaso é da broa e do bolo negro se calhar não sabiam que era aqui que terminava o ciclo do pão!” Muito provavelmente, estas e se calhar outras da mesma dimensão, são questões que muitos com certeza já colocaram e cuja resposta ainda não vislumbraram ou obtiveram. Estamos certos de que TODOS em conjunto, incluindo a Junta de Freguesia e a Câmara, irão contornar e criar as condições para que o último forno que ainda existe - o do pelourinho - vá ser considerado e classificado como de interesse municipal procedendo-se posteriormente à sua musealização em complementaridade com o ciclo da broa e do bolo negro.   

A história local ensinou-nos e ainda continua a ensinar que a corporização dos legados nos ajudam a conhecer e a compreendermos melhor o que somos. Existem hoje enraizadas na memória das gentes de Loriga, um conjunto de expressões comunicacionais e saberes, produzidos e realizados durante o tempo de duração da cozedura do pão, que o tempo jamais apagará. É este legado que importa preservar, defender e também amar, que não queremos vilipendiar e erradicar totalmente. Ele faz parte integrante de nós, das nossas famílias e de uma comunidade que quer ver registado e transferido para sempre aos seus vindouros.

Senhores presidentes…

Sabemos que os tempos são de crise e as condições económicas e financeiras são precárias e deficientes, mas com algum esforço e muita vontade, vamos com certeza contribuir para que o último forno seja salvo!

Ajudem-nos a adquirir a importância decisiva de afirmação identitária da nossa terra e a consolidar os sentimentos de pertença das pessoas numa comunidade onde a requalificação tem sido profusamente adversa e madrasta.

 

 Augusto Moura Brito

  01 outubro 2012

publicado por sacavem-actual às 23:17

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